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Traveller - Quem é Quem nas Marchas Espirais
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Traveller - Quem é Quem nas Marchas Espirais

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As potências, frotas, corporações, guildas e fés que dividem a fronteira mais distante do Império. Um guia de ambientação para jogadores, sem spoilers: quem manda, quem negocia, quem patrulha e no que se acredita por aqui.

Quem é Quem nas Marchas Espirais

Numa fronteira, saber quem é quem vale tanto quanto saber pilotar. As Marchas Espirais são um cruzamento de impérios, estados independentes, frotas, corporações e igrejas — e um Viajante que não distingue uma linha mercante de uma frota de guerra, ou um culto de fronteira da fé oficial do Terceiro Império, não dura muito.

Este é um guia sem spoilers: só os poderes notórios e o que qualquer pessoa da fronteira sabe sobre eles. Quem realmente puxa cada corda por trás dos panos, vocês descobrem na mesa.

Companheiro dos guias de Regina e das Marchas Espirais — aqui o foco são as instituições e as pessoas, não os mundos.


As potências vizinhas

As Marchas fazem fronteira com poderes que não respondem ao Império. Conhecê-los é sobrevivência básica.

O Consulado Zhodani

O grande rival. Uma potência humana vasta e antiga logo além da fronteira, e a única sociedade das redondezas onde a psiônica é respeitada, não crime — governam com ela. A sociedade zhodani é dividida em três castas hereditárias: os Nobres (a minoria psiônica que governa), os Intendentes (a classe média treinada em psiônica, que administra) e os Proles (a grande maioria, sem treinamento). Regem-se pela Senda da Moralidade, uma filosofia que trata a vida como dever para com a raça — e sua polícia do pensamento, a Tavrchedl' ("a Guardiã"), reeduca quem se desvia. O resultado é uma sociedade ordenada, coletivista e quase sem crime — o oposto exato do Império, e a ameaça externa que assombra toda a fronteira. Já houve quatro Guerras de Fronteira contra eles; todos esperam a quinta.

A Confederação Dariana

Um pequeno estado humano independente, encravado entre os Mundos da Espada e o espaço não-cartografado, protegido por tratado com o Império. Os Darianos são tecnologicamente superiores a todo mundo na região — sobreviventes de uma catástrofe estelar que quase os extinguiu, hoje o cérebro high-tech das Marchas. Sua fama repousa numa lenda: o Gatilho Estelar (Star Trigger), uma arma capaz de fazer uma estrela entrar em colapso. Ninguém no bom senso quer descobrir se é verdade — e é justamente essa dúvida que mantém vizinhos muito maiores em respeitoso silêncio.

Os Mundos da Espada

A Confederação dos Mundos da Espada (Sword Worlds) é um bloco frouxo de mundos humanos independentes, de cultura marcial e orgulhosa, com nomes tirados de espadas lendárias — Gram, Excalibur, Durendal, Joyeuse. Governam-se por jarls e conselhos de guerreiros, valorizam honra, força e lealdade ao mundo natal, e exportam alguns dos melhores mercenários da fronteira. Historicamente rivais dos Darianos e oscilando entre a neutralidade e a aliança com os zhodani contra o Império, nunca são de todo confiáveis — mas sempre são de se respeitar.

(Os Vargr e os Aslan, as outras grandes espécies da fronteira, têm suas próprias sociedades e facções — mas essas ficam para os guias de espécie.)


A política das casas: Mora contra Regina

Acima de todas as casas estão o Imperador Strephon e o Moot (a assembleia dos nobres) — mas a capital fica a meses de distância e, sem Arquiduque de Deneb há mais de cinco séculos, na fronteira quem manda de fato são os duques locais. (Como o Império se governa, a escada da nobreza e as leis: veja o guia O Poder do Império.)

Dentro do próprio Império, a fronteira está dividida. Com o trono de Arquiduque de Deneb vago há séculos, o poder real cai nos duques de subsetor — e dois puxam as Marchas para lados opostos:

  • A Casa Muudashir, de Mora (a capital do setor), sob a Duquesa Delphine — prega estabilidade, economia e cautela diante dos zhodani.
  • A Casa Aledon, de Regina (a fronteira), sob o Duque Norris — quer reforço militar imediato, convencido de que a guerra é inevitável.

Duas casas civilíssimas diante das câmeras e sem freios por trás delas. Mundos-chave do interior, como Rhylanor, viram moeda de troca nessa queda-de-braço. (O guia de Regina detalha essa disputa — inclusive o voto de desempate que pode virar o jogo.)


O braço do Império

A Marinha Imperial — a 4ª Frota

A força naval responsável pela defesa de toda a fronteira das Marchas Espirais. Internamente, ela vive a mesma divisão das casas: uma doutrina de defesa concentrada (recuar e proteger o núcleo, a visão de Mora) contra uma de defesa avançada (segurar a linha na fronteira, a visão de Regina). Para um Viajante, a Marinha é ao mesmo tempo o escudo que mantém os zhodani do lado de lá — e a autoridade que pode requisitar seu combustível, revistar seu porão e ancorar sua nave "por segurança".

O Serviço de Exploração — o IISS

Os Scouts (Batedores) mapeiam mundos, mantêm a rede de barcos-correio (X-boats) que carrega toda a informação do setor, e operam por uma moeda própria: informação por informação. É o serviço mais informal e acessível do Império — scouts em serviço destacado circulam à vontade, e a Base Scout de Regina é a maior das Marchas. Para quem começa, é o melhor lugar para conseguir uma nave velha, um mapa raro ou uma pista.

Os Huscarles do Duque de Regina

O 4518º de Infantaria de Salto — os "Huscarles do Duque de Regina" — são o regimento pessoal de elite do Duque Norris, com equipamento de altíssima tecnologia e o lema "Ataca do Espaço". Tropas assim são raras e caras; vê-las mobilizadas é sinal de que a coisa ficou séria. Ao lado deles operam esquadrões de assalto da própria Marinha. Nas Marchas, força militar de verdade tem nome e brasão — e quase sempre serve a uma das casas.


Comércio, viagem e serviços

Al Morai — a linha mercante das Marchas

A grande linha mercante da região, sediada em Mora. Opera dezenas de cargueiros de longo alcance em rotas regulares que ligam as capitais de subsetor, servindo só os portos grandes (Classe A e B) e escoltados contra a pirataria. Curiosidade notória: seus funcionários compram ações do próprio emprego — um sistema que transforma tripulante em sócio. Não serve os Mundos da Espada nem Darrian. Para um grupo iniciante, a Al Morai é a rota mais provável de um primeiro contrato ou de uma carona longa.

A Sociedade de Apoio a Viajantes (SAV)

A SAV (a Sociedade de Apoio a Viajantes, ou Travellers' Aid Society) mantém hostels e hotéis em todos os portos Classe A e B do Império — uma rede confiável de cama, correspondência e informação para quem vive na estrada estelar. A filiação é um dos benefícios de carreira mais cobiçados do jogo: vitalícia, e rende uma passagem de luxo a cada dois meses. Onde há um porto grande, há um hostel da SAV — e nele, gente de passagem que sabe de coisas.

As megacorporações

As grandes corporações interestelares também operam nas Marchas, cada uma dona de um ramo: Naasirka (computação e eletrônica), SuSAG (farmacêutica e química), Zirunkariish (seguros e finanças), entre outras. Para um Viajante, elas são menos "vilões" e mais paisagem: o fabricante do seu computador de bordo, a seguradora da sua rota, o laboratório que produz seus remédios. Ricas, pacientes e com braços em toda parte — o tipo de patrão que paga bem e faz perguntas demais.


O inimigo interno: o Ine Givar

Nem toda ameaça vem de fora. O Ine Givar é o movimento anti-imperial mais conhecido das Marchas — e não é uma coisa só. Tem uma ala reformista, que faz política legal e tem voz no Moot; uma ala separatista, que quer autonomia para mundos de fronteira cansados de mandar impostos para um centro distante; e uma ala violenta, que a essa altura já é terrorismo puro e simples. Na fronteira, "Ine Givar" é ao mesmo tempo uma bandeira legítima de descontentamento e o carimbo que a autoridade usa para justificar uma batida. Convém saber com qual das três você está falando.


No que se crê na fronteira

O Um — a fé do Império

A religião dominante do Terceiro Império é O Um (The One) — e o que a distingue é ser uma fé baseada em razão: quanto mais a ciência avança, mais impressionante fica o "ajuste fino" do universo. O dogma é simples de resumir: antes de tudo existia o Um, consciência pura; o universo é o Um se expandindo em infinitos fragmentos de experiência individual; cada alma é um desses fragmentos; a morte é um retorno temporário ao Um, seguido de nova individualização. E daí vem a moral central — "como vivemos determina o universo que deixamos para quem vem depois".

Seus ritos acompanham a vida (Batismo, Casamento, Funeral), mas há um próprio da vida interestelar que todo Viajante encontra: o Retiro de Jump, que trata os sete dias em jumpspace como contemplação — o "espaço entre os espaços" como símbolo do estado anterior à individualização. O porto de Regina realiza retiros mensais concorridos. A hierarquia vai do Contemplador (leigo) ao Guardião (clero) e ao Intérprete (que resolve questões de doutrina, sempre viajando).

A prática varia por mundo: em Mora O Um é mais religião da elite; em Regina, cerca de dois terços da população pratica, e o tom é filosófico o bastante para conviver sem atrito com as minorias.

As outras fés

Regina, como todo grande porto, abriga comunidades de outras crenças — uma comunidade judaica de três gerações e uma islâmica em crescimento, vindas com a imigração, coexistem com O Um sem tensão significativa. E, do outro lado da fronteira, a Senda da Moralidade zhodani (vista acima) faz as vezes de religião civil: dever à raça e à ordem no lugar da fé. Duas maneiras opostas de responder à mesma pergunta — o que devo aos outros? — e a fronteira fica bem no meio delas.


Onde vocês entram

Um grupo recém-saído das carreiras chega às Marchas sem brasão, sem frota e sem catedral. O que vocês têm é mobilidade — e, num tabuleiro tão cheio de poderes grandes, ninguém é mais útil (ou mais descartável) do que gente pequena que pode ir aonde os grandes não podem se dar ao luxo de ser vistos.

Vale aqui a mesma lição do guia de Regina: numa fronteira à beira da guerra, todo patrono tem um lado e todo favor cobra juros. Saber a quem você serve, antes de assinar o contrato, é metade do trabalho.


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Guia de ambientação para jogadores · Traveller (Mongoose 2ª ed.) · Marchas Espirais · Ano Imperial 1105.

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