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Traveller - Regina, o Porto da Fronteira
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Traveller - Regina, o Porto da Fronteira

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O maior porto da fronteira mais distante do Império — uma lua oceânica sob um gigante gasoso, 700 milhões de habitantes e naves chegando a cada minuto. Um guia de ambientação para jogadores: o mundo, o porto e os pontos onde a aventura acontece.

Regina — o Porto da Fronteira

Se a fronteira mais distante do Terceiro Império respira, ela respira por Regina. Não é a capital do setor — esse título é de Mora —, mas é o maior porto das Marchas Espirais ocidentais e o lugar por onde tudo passa: carga, notícia, dinheiro, gente e problema. Chegar em Regina é chegar ao centro de gravidade da fronteira.

E em 1105 essa fronteira está tensa. A pressão zhodani se sente em cada patrulha extra no sistema, em cada fila de combustível mais longa que o normal. O sistema funciona — mas todo mundo sente que ele vai ser testado.

Guia sem spoilers, só ambientação: o que qualquer Viajante saberia ao chegar na fronteira.

Onde vocês entram nesta história

A campanha começa com vocês recém-saídos de suas carreiras — Viajantes de verdade pela primeira vez, com uma vida inteira nas costas e o futuro em aberto. Vocês estão no mundo de Dinomn, embarcando num liner de passageiros para o salto de uma semana até Regina.

Ou seja: Regina é o destino — o porto onde a vida de aventureiro de fato começa. Este guia é o que vocês precisam saber sobre o lugar aonde estão indo. O que acontece na viagem… vocês descobrem na mesa.


Um mundo que é uma lua

Regina não é um planeta: é uma grande lua oceânica do gigante gasoso Assiniboia. E o gigante domina tudo — uma foice colossal ruiva-dourada que ocupa metade do céu, de dia e de noite, banhando o lado escuro numa luz de mel. Nunca escurece de todo. É a primeira imagem que fica de Regina.

  • Oceano por toda parte: ~80% de água, continentes menores, clima temperado e chuvoso, tempestades oceânicas frequentes.
  • Gravidade leve (0,88g): confortável; visitantes de gravidade padrão sentem uma leveza que passa rápido.
  • Ar denso e respirável, pressão um tiquinho acima do padrão.
  • Céu movimentado: além de Assiniboia, um sol branco-amarelado (a estrela Lusor) e, ao longe, um pontinho rubro — uma anã vermelha.

Os continentes têm papéis próprios: Noncredo (o mais populoso, com a capital Credo e o porto), Vanthorpe (o celeiro agrícola), Alcyone (mineração ártica ao norte), Meridian (pesquisa e biotec no equador) e Ashford (reservas naturais e turismo de alto padrão).


O código do mundo: A788899-C

Todo mundo em Traveller tem um UWP — sete dígitos que resumem o lugar. O de Regina conta muita coisa:

CódigoSignifica
APorto Classe A — estaleiro completo, conserta e constrói qualquer nave, combustível refinado à vontade
7mundo pequeno (~11.000 km, 0,88g)
8atmosfera densa, respirável
880% de oceano
8~700 milhões de habitantes
9governo: burocracia impessoal
9Nível de Lei 9 — armas proibidas em público
-CNível Tecnológico 12: computação e medicina avançadas

Guarde o Lei 9: em Regina, civil não anda armado na rua. Arma fica em casa; no porto, os scanners recolhem tudo que for declarado. Para um Viajante recém-chegado, isso muda o jogo — aqui o problema raramente se resolve na bala.


Chegando: o Highport

O primeiro pé em Regina é dado em órbita. As naves interestelares atracam no Regina Highport, uma pequena cidade suspensa no vácuo — módulos, anéis giratórios e braços de atracação eriçados de luzes âmbar, com shuttles subindo e descendo em cordões. Pelas janelas panorâmicas: a curva azul da lua girando embaixo, a massa dourada de Assiniboia enchendo o céu e, ao lado, a lua-irmã Credo Minor com os estaleiros orbitais e os cascos de naves de guerra ancorados.

Dentro, o clima é de aeroporto interestelar: arquitetura branca e cromada, holo-painéis de horários, filas para arcos de scanner, e uma multidão cosmopolita — humanos de toda origem, Vargr de pelagem, um ou outro Aslan. Quem recebe os visitantes é a Public Order Commission (POC): agentes uniformizados, o rito da Assunção de Custódia (o porto assume responsabilidade formal sobre forasteiros e seus bens) e muita burocracia paciente. Armas? Declaradas e recolhidas ali mesmo.


Descendo: Credo, o Downport e a Startown

Da órbita, desce-se de shuttle para a superfície. O Regina Downport fica na orla norte de Credo, a cidade-capital — e é uma cidade dentro da cidade: quilômetros de plataformas e guindastes, torres de vidro e liga clara, 800 mil pessoas só na zona portuária, naves subindo e descendo sem parar.

Colada a ele está a Startown: a faixa de neon sujo — bares, armazéns, hotéis baratos — que ninguém governa de verdade. É terra de ninguém num mundo de Lei 9, refúgio de contrabandista e o primeiro lugar onde aterrissa quem chega sem contatos. Se o Império é a ordem, a Startown é a válvula de escape logo ao lado dela.

Credo cresce em direção a Atora, a segunda cidade, formando uma metrópole quase contínua onde ficam a Universidade, o hospital, o centro administrativo e a Residência do Duque.


Os pontos que importam

Onde a aventura tende a passar — e o que cada lugar é:

  • Regina Highport — a estação de chegada, em órbita. Onde a POC recebe os visitantes.
  • Regina Downport — o porto de superfície, no norte de Credo. Qualquer serviço de nave, qualquer contrato, qualquer informação.
  • Startown — a faixa sem-lei colada ao porto. Bares, negócios por fora, o primeiro pouso de quem não tem para onde ir.
  • Hostel da SAV — o hotel da Sociedade de Apoio a Viajantes, no porto. Barato, movimentado, ponto de encontro de gente de passagem.
  • Mercado Baixo — o mercado informal do porto: carga sem manifesto completo, perguntas que ninguém faz.
  • Bolsa de Mercadorias — o pregão que define os preços de referência de todo o setor. Para quem vive de comércio, é a catedral.
  • Universidade de Regina — 60 mil estudantes, biblioteca pública e museu de xenobiologia. A segunda mais prestigiosa das Marchas Espirais.
  • Regina Medical Center — o maior hospital civil do setor fora de Mora, medicina de NT 12.
  • Base Scout (IISS) — a maior base do Serviço de Exploração nas Marchas Espirais; scouts em detached duty circulam à vontade. A mais acessível das instalações.
  • Base Naval Imperial — instalação militar; acesso civil proibido sem credencial. Em alerta elevado.
  • Residência Ducal — o palácio administrativo e casa do Duque, na colina central de Credo. Visita só protocolada.
  • Templo de O Um — o templo principal da religião dominante; organiza retiros de salto todo mês.
  • Câmara de Representantes Técnicos — conselho eleito que controla o fundo de automação. Reuniões públicas às quartas.
  • Dancado — região rural no domínio privado do Duque, fora de Credo. Poucas famílias, voo restrito, transporte por carro de solo.

Quem manda em Regina

Regina é do Duque Norris Aledon — ex-oficial da Marinha, pragmático, o nobre mais influente da fronteira depois da Duquesa de Mora. No dia a dia, a ordem fica com a Regina Constabulary (a polícia planetária) e, na zona cinzenta entre a lei local e a imperial — sobretudo nos portos —, com a POC. Some a isso o peso da lei local: Regina é próspera, vigiada e ordenada.

A guerra que ainda não veio

O pano de fundo de tudo é a fronteira zhodani. O Consulado fica a poucos saltos, e nas Marchas Espirais quase todo mundo trata uma nova Guerra de Fronteira como questão de quando, não de se. A fronteira já está armada: bases em alerta, mundos como Jewell e Efate apontados como possíveis estopins, seguros nas alturas, recrutamento acelerado.

E há um cálculo frio por trás da tensão: quem controlar a Marinha e ganhar crédito na guerra que vem herda o setor. Por isso a próxima guerra já está sendo travada hoje — na política.

A disputa das casas — e o voto de Rhylanor

As Marchas Espirais fazem parte do Domínio de Deneb, mas o trono de Arquiduque está vago há séculos, administrado de longe pelo próprio Imperador. Sem um árbitro local, o poder real está com os duques de subsetor — e a política do setor gira em torno de uma rivalidade só: Mora × Regina.

  • Mora, a capital, sob a Duquesa Delphine Muudashir — a incumbente: maior economia, maioria no Moot, laços com as megacorporações. Joga pela estabilidade e pela cautela: não provocar os zhodani cedo demais.
  • Regina, sob o Duque Norris — o desafiante: quer reforçar a fronteira agora, convencido de que a guerra é inevitável, e reúne uma coalizão de mundos de fronteira.

Ambos são impecavelmente educados em público e implacáveis nos bastidores. E a balança pode virar num mundo do interior: Rhylanor.

Rhylanor — antigo, rico e influente — não tem um governante único: é comandada por um Conselho de Seis Famílias. E esse conselho está empatado: metade puxa para Mora, metade para Regina. O voto de desempate está nas mãos de uma única casa — e é esse voto que decide para que lado um dos mundos mais estabelecidos do setor vai pender. Por isso, em 1105, os dois lados cortejam Rhylanor: quem levar aquele voto ganha terreno na disputa que vai definir as Marchas Espirais quando a guerra chegar.

Para um grupo de Viajantes, a lição é simples: numa fronteira à beira da guerra, nenhum favor é pequeno e nenhum patrono é neutro. Todo mundo está de um lado — inclusive quem jura que não.


A gente de Regina

Setecentos milhões de pessoas de origens de todo o Império — o porto trouxe e deixou gente de toda parte por séculos. O resultado é uma sociedade cosmopolita e pragmática: aqui o que importa é entregar o que promete, não de onde você veio.

  • Vargr são ~20% da população (uns 140 milhões), integrados em todos os setores, com bairros de identidade própria.
  • Aslan são menos de 10%, comunidade coesa, forte em comércio e diplomacia.
  • Os Amindii são a espécie nativa de Regina — o mundo é o homeworld deles, muito antes dos humanos. São grandes sofontes insectoides (imagine gafanhotos de 2,2 m, de placas quitinosas e quatro braços), de sociedade comunal e cidadania imperial plena. A maioria dos reginianos nunca cruzou com um… exceto no porto: boa parte da segurança do Highport e do Downport é feita por eles. Provavelmente o primeiro nativo que vocês verão ao desembarcar.
  • A religião dominante é O Um (cerca de dois terços da população), com o Templo Principal em Credo.

O que une os reginianos não é uma cultura só — é a identidade de lugar: ser do maior porto da fronteira, crescer no ruído das naves e no fluxo eterno de estranhos virando vizinhos.


Regina em 1105 — o que está no ar

A guerra ainda não veio, mas os sinais estão por toda parte:

  • Patrulhas navais no sistema 40% maiores que há dois anos.
  • Filas de combustível no porto mais longas — a Marinha tem prioridade.
  • Seguros para rotas perto da fronteira zhodani subiram 35%.
  • Recrutamento militar acelerado, campanhas mais agressivas.
  • Famílias com recursos começando a considerar mudança para o interior.

Regina não é o lugar mais seguro das Marchas Espirais. É o lugar onde mais coisas convergem — e onde quem entende o que está convergindo leva vantagem sobre quem não entende. Para um grupo de Viajantes recém-chegado, é o melhor porto e o mais perigoso ao mesmo tempo: tudo que vocês precisam está aqui, e todo mundo que também quer está aqui junto.

Bem-vindos a Regina. A fronteira começa — e recomeça — por aqui.


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Guia de ambientação para jogadores · Traveller (Mongoose 2ª ed.) · Marchas Espirais · Ano Imperial 1105.

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